sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

o não, o simples nada

Eu já não sei por onde vou, já não me interessa onde nasci, não sei quem sou, não me conheço a mim, nem conheço ninguém. Contudo, dou apoio e carinho, mas a corda é curta, e quebra-se, as mãos estalam-se como gelo, e os lábios cerram parecendo ferrugem.
Não sei nada, nem quero saber, não quero saber de tal coisa, que se cerrem os lábios, e que se estalem as mãos, que se fechem os olhos e não se abram nunca, nunca mais.
Mas até lá vou-me assoando aos lenços que pensamos que não sentem, mas, ora todos nós sentimos, até o velho que sentado na cadeira, passa o dia a resbunar. Mas porquê tudo isto, porquê ?
Não nem quero saber, só preciso de alguém, alguém que esteja sempre comigo, e não deixe a corta partir-se. Hoje, hoje sim é um mau dia, mas não vou descansar.
Até lá fico a espera do dia, que o sol irá brilhar, e o velho pare de resbunar.
Qualquer dia será um dia, qualquer dia nem sei que faça, e um dia, deixará de ser um dia, passará a ser
E com tudo, a caneta cai sobre o chão, com delicadeza a mão é sobreposta no papel.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A flor

Uma pequena flor sente bem, se está triste ou se está contente, mas há sempre uma estranha indecisão, no medo de como vê as coisas, do modo como irá reagir a isto tudo. Mas nada passa de meras incertezas, incertezas essas que acabam por ser ruínas, pensamentos falhados, nada mais.
São todas estas palavras que escrevemos, e voltamos a escrever, à espera que algo mude, e que o tempo volte atrás, onde tudo era prefeito, e nada, mas nada se transformava em pesadelos.
Pode ser que um dia, sim, um dia a pequena flor consiga decidir o que sente.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

o que quiserem .

Só quem sabe é que sente, o que é viver num mundo extremamente pequeno e escuro, onde o espaço que sobra para nós é minúsculo, nem para o pobre cego, que por pura bondade deixou de ver, de sentir.
Se os pássaros falassem, e as folhas das árvores consolassem, ora então seriam os melhores amigos, uns amigos com coração.
Nem vale a pena falar, ninguém nos ouve, ninguém quer saber de nós, somos uns seres que nada valemos, só o cego, que nem ouve, nem sente, é o melhor conselheiro que alguém pode ter, com quem se pode desabafar sem nada dizer.
E a solidão só nos faz mal, só nos faz recolher ainda mais.
Se errei não foi por mal, talvez por bondade, mas por mais que tentemos fazer algo certo, acaba sempre por ser errado.

domingo, 20 de dezembro de 2009

É vago, e real


O mundo está numa confusão, parece que temos tudo contra nós quando mais precisamos, eu sinto-me só, sem ninguém ao meu lado, nem um beijinho de consolo, ou um pequeno abraço, sinto falta, tenho um vazio dentro de mim, ou será melhor chamar-lhe um buraco fundo.
São todos os ignorantes que por bondade ou curiosidade nos dizem algo, mas sem darmos conta, desaparecem, vão-se embora, parecem já não ter interesse. Necessito de alguém que esteja sempre a meu lado, e não me deixe só.
Qualquer dia, dou por mim a falar à toa e sem saber o que fazer, vou-me embora.
E vou ter medo, vou ter medo de me arrepender, de deixar tudo para trás, tudo o que já vivi foi tão bom, mas agora parece que tudo mudou, que tudo se evaporou, e a vontade de rir, a vontade de viver evaporou-se também, para quê dizer isto tudo se amanhã ou depois, tudo mudará. Mas assim é mais fácil dizermos o que sentimos sem nos apercebermos que tudo não passa de uma grande verdade. O que é certo é que não aguento mais, olhar em frente de cabeça erguida, rir à vontade como se nada fosse, mas tenho esperança que tudo voltará ao normal, e essa vontade de encarar o mundo, venha com força.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Irrealidade

A minha perspectiva é porem uma inocência escondida, uma alegria perdida, um vazio obscuro, um nada. Uma simples vida, algo com valor acaba de se transformar numa criatura horrível, um monstro por dentro, coisa estranha e sem explicação.
Então eu paro e penso, dou voltas à cabeça e sem saber o porquê de tal coisa, num instante termina aqui a minha história.

Abrigo

Escrever é esquecer, mover é viver. É então o meu ponto de abrigo o mais puro das emoções, e a voz que oiço no fundo da rua, é apenas fruto da minha insignificante imaginação.

A Luzcinação




Será a luz a mais modesta dos objectos, a mais sincera das palavras, a mais honesta dos caminhos.